25 junho 2017

Vitor Souza, o pastor de muita fé . Vitor Souza, o colorista, ilustrador e designer gráfico.

Um personagem de história em quadrinhos chamado Xaxado foi quem me apresentou ao meu amigo Vitor Souza, competente professor de Teologia e dedicado pastor, designer gráfico e colorista dos melhores. Trocando em miúdos, bem antes de ser amigo de Vitor eu já o era do desenhista Antonio Cedraz, criador de diversos personagens de quadrinhos, sendo o mais famoso deles um menino nordestino, um pequeno sertanejo que usa um chapéu de couro, atende pelo nome de Xaxado e é neto de um autêntico cangaceiro. Cedraz, tão sertanejo quanto seu personagem, desde seus dias de infância no interior da Bahia era um grande apaixonado por quadrinhos. Sonhava ter os personagens criados por ele tão cultuados quanto os de outros já consagrados profissionais. Pensando nisso, trabalhou sozinho com perseverança, depois decidiu que era chegada a hora de ter um estúdio e formar uma equipe para produzir seus quadrinhos. Montou seu tão sonhado estúdio e abriu uma editora, a Editora Cedraz, disposto a publicar e divulgar suas criações. Começou a selecionar pessoas que tivessem competência e vontade de fazer quadrinhos. Logo arregimentou gente disposta a trabalhar firme para tornar realidade o sonho dourado de viver de histórias em quadrinhos na Bahia. Dentre essas pessoas selecionadas, estava Tom Figueiredo, literato premiado, argumentista e roteirista de quadrinhos, estava também Sidney Falcão, desenhista profícuo, de grande habilidade, que assimilou com competência o traço de Cedraz e, last but not least, integrava essa turma Vitor Souza, que no estúdio, é claro, não atuava como pastor nem dava aulas deTeologia. O que Vitor fazia por lá, entre outras coisas,  era colocar títulos, letras e balões nos desenhos e colorir digitalmente as histórias que surgiam da cuca de Tom e Cedraz e eram desenhadas por Sidney e pelo próprio Cedraz, a maioria delas com o menino Xaxado que, graças ao seu carisma, havia se tornado o personagem principal e o carro-chefe do estúdio ensejando a produção de centenas de tiras e páginas, sendo a grande maioria colorida por Vitor que, de novato na arte de colorir, foi se aperfeiçoando e se tornando um profissional competente e habilidoso, dominando o uso de diversos programas, ficando íntimo das cores digitais e não apenas isso, das cores em si, suas nuanças, seus matizes, sua linguagem cheia de sutilezas e de possibilidades. Eu gostava de visitar Cedraz no estúdio, era estimulante ver o trabalho que ele e sua equipe desenvolviam com tanto carinho. Ali naquele ambiente pude presenciar Vitor Souza colorindo o Xaxado. A cada visita minha ao estúdio, enquanto ele letreirava ou coloria, conversávamos animadamente e eu gostava de ouvi-lo falar com propriedade sobre os temas mais diversos, cinema, política, sociedade, quadrinhos e um mundo de coisas interessantes. Vitor sempre foi o tipo de gente que gosto de ter como amigo, um cara muito bem informado, com saberes fundamentados através de leitura de livros e revistas de qualidade, cinema, Internet. Nessas fontes que bebia captava informações importantes o que propiciava que ele falasse das coisas com conhecimento de causa. Sendo ainda bem jovem sempre mostrou ter ideias maduras e uma mente aberta, sabendo argumentar com grande embasamento, sem radicalismos. Sabia ouvir e falar na hora certa, mostrando personalidade, sem querer ser o dono da verdade. Findamos por nos tornar amigos próximos e, inevitavelmente, começamos a trabalhar juntos, a misturar nossas artes, eu com meu desenho, ele com suas cores e seu trabalho de designer gráfico. Vitor, além de profissional competente, é um ser humano de boa índole que batalha muito para ser feliz ao lado da própria família. Não sou religioso como ele o é, nem tenho as relações sólidas com Deus como ele as tem, mas mesmo sem maiores intimidades, tenho lá minhas ligações com o Criador e quando rezo pedindo a felicidade de gente da minha estima, peço ao Onipotente que contemple com paz e harmonia a caminhada de tão bom amigo. E que a vida de Vitor e sua família possa ter sempre a mesma maravilhosa harmonia que ele magistralmente consegue dar às suas cores.  
( As ilustrações acima são da HQ Em Terras Americanas com argumento de Tom S. Figueiredo, desenhos de Setúbal, com colorização e letreiramento de Vitor Souza.)
(22/07/2016)

16 junho 2017

Toda mulher encalhada tem razões de sobra para ser feliz.

Solteirona, sim. Mas numa boa!
Fiel leitora, tá certo que você não seja lá nenhuma Gisele Bündchen. Que, na verdade, você tem dentes tortos e amarelados, mau hálito, buço espesso, joanetes, varizes, estrias e montanhas de celulite, mas isto não é motivo para ficar chorando copiosamente, desolada, pensando que, pelo simples fato de ser uma tremenda baranga, um verdadeiro dragão, a homaiada não vai querer nada, nadinha com você. Melhor, muito melhor assim, acredite, doçura. Saiba você, barangosa amiga, que os homens, esses sórdidos incorrigíveis, costumam ter defeitos bem piores que os da mais imperfeita das mulheres e é preferível estar só do que mal acompanhada, que mais vale ouvir comentários de que você ficou pra titia do que ter o dissabor de passar o resto da vida ao lado de um Zé Mané qualquer, aturando aquelas insuportáveis manias típicas dos machos da espécie.
Em seu benefício e o de todas as mulheres, listamos aqui uma série de defeitos comportamentais exclusivamente dos homens para provar definitivamente que não vale a pena você juntar-se a um safado desses, sendo bem melhor viver sozinha, desfrutando de uma feliz e prazerosa existência de solteirona. 
Um homem, uma mulher... e um W.C.
Seguindo uma antiga tradição machista criada para enlouquecer as mulheres, os homens quando vão ao banheiro para fazer o number one, jamais levantam a tampa do assento do vaso e ela acaba toda batizada. Então quando você, toda charmosa, entra no banheiro para fazer aquele xixi básico de princesinha de conto de fadas, depara-se com aquele tsunami amarelado, horror dos horrores. Aí, é claro, você faz a coisa mais sensata e racional que uma mulher equilibrada deve fazer em um momento desses, que é dar uns estrondosos berros nos ouvidos do calhorda. Ele, na maior desfaçatez, vai fazer pose de inocentíssimo e com a mais lambida cara de vítima, dirá que você anda muito, muito estressadinha. 
De príncipe a rei... do desleixo.
 Sendo mulher, você é uma romântica incorrigível. Um belo dia, por sei lá quais enganos e equívocos, fica achando que um sujeito qualquer é o seu príncipe encantado e, cheia de ilusões, casa-se com ele. Pobre amiga! Depois de um tempo, você se dá conta que ele foi perdendo todo o charme que você enxergava nele, que foi ficando careca, barrigudo e andando com a barba sempre por fazer. Enfim, deixou de ser príncipe encantado e virou um similar do Shrek, um tremendo ogro. 
Sim!, ele é o maior... o maior engano da sua vida!
Na fase do namoro o homem porta-se como um cavalheiro, abre a porta do carro para você, lhe cobre com as mais olorosas flores e a leva para passear por recantos paradisíacos, maravilhosos. Depois de casado ele dá mostras do sujeito imprestável que é, vai se acomodando e quando não está entornado engradados de cerveja, fica no sofá da sala vendo futebol na TV ou no quarto, roncando de forma insuportável, ou zanzando pela casa, só de cuecas e meias furadas, soltando sonoros flatos e azedíssimos arrotos. 
É a mãe! É a mãe!
Os homens, delicada amiga, são muito mal educados e um belo dia, querida leitora, este grosseirão ofende sua mãezinha, aquela santinha sem máculas, a melhor entre todas as sogras, chamando-a de jararaca velha. Tudo porque ela, pessoa experiente e sábia, fundamentada em sua elevada sapiência, disse umas necessárias verdades para o calhorda. Ao ouvir tais disparates contra sua imaculada genitora, você retruca dizendo que a mãe dele, sim, é que é uma cascavel com chocalho e tudo. E a pancadaria rola solta na casa de Noca. 
Como virar uma mocreia sem sair de casa.
Para manter seu corpo sarado, um bumbum empinado e aquela cinturinha de tanajura, você gasta  uma nota preta e se submete a uma sacrificante rotina, sofre horrores em exaustivos exercícios nas academias. Aí vem um pilantra com uma conversinha mole, cheia de promessas vazias. Quando um dia você cai em si, percebe que sua barriguinha sarada cedeu lugar a um monte de pneuzinhos, seus cabelos e unhas estão um lixo, sua pele parece uma lixa número 5. Ainda por cima, sem que você se desse conta, o vagabundo encheu você de filhos, e os pirralhos passam o dia depredando aquele imóvel que você julgava ser seu inviolável lar ou agarrados à sua saia por todos os cantos da casa. Um desses pirralhos está com a fralda cheia de caca, outro engoliu metade da garrafa de detergente pensando ser refrigerante, outros dois querem mamar em seus peitos, agora já bem caídaços, por sinal. Enquanto isto, alegando que não suporta mais tanto barulho, o sacripanta diz que vai dar uma caminhada para relaxar e se manda direto para um boteco pra encher a cara com aqueles amigos debilóides de Q.I. iguais ao dele. E quando passa uma periguete cheia de curvas, peitões e um bumbum tamanho GG, ele diz: “Isto é que é mulher e não aquela mocreia que eu tenho lá em casa!”
Amiga querida, agora que você já está consciente da verdade sobre os homens, jogue fora seu lencinho encharcado por lágrimas derramadas em vão. A viver sua vida ao lado de um verme desses, é preferível vivê-la só, docinho. E que se danem as línguas maledicentes das vizinhas fofoqueiras, falando pelas suas costas que você é uma solteirona, uma encalhada. Solteirona, sim, encalhada, sim, mas por opção própria. E muito, muitíssimo feliz, por sinal! 
                            ( 17/02/13 )

15 junho 2017

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...
(09/05/15)

09 junho 2017

Lançamento do Sketch Book Paulo Setúbal pela Editora Criativo em Sampa.

Exibindo paulo-setubal.jpg
 A vida é um eterno desfilar de surpresas e acontecimentos que nos envolvem, muitas vezes movidos pelas mais insondáveis razões. A nós, nos resta festejar e curtir com intensidade quando taís momentos ofertados são bons motivos de celebração. Pois não é que, para gáudio, honra e subida glória do autor desse bloguito a Editora Criativo estará lançando novos Sketch Books e, entre eles, o Sketch Book Paulo Setúbal, o popular euzinho. Nele tenho oportunidade de apresentar ao respeitável público um bom lote de amostras de meus desenhos, ilustrações e estudos diversos, caricaturas, cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos. Como artista participante da coleção fico radiante por haver sido selecionado para integrar esse panteão de tantas feras do desenho. Os mais de 60 Sketch Books que integram a coleção apresentam uma mescla da produção de talentosos artistas, sendo que alguns desses artistas já têm alguma quilometragem no campo das Artes, mas há também as criações de artistas promissores que estão iniciando no campo profissional e também há uma bela seleção de artistas já consagradíssimos, com grandes legiões de fãs Brasil e mundo afora. O lançamento dos Sketch Books pela Editora Criativo acontecerá no próximo dia 11 de junho, domingo, das 13 às 18 h, no Restô & Burgers, na Praça Ana Rosa, 33, Vila Mariana, bem ao lado do metrô Ana Rosa, em Sampa. Ali o aficionado por cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos poderá conseguir um autógrafo do seu autor predileto e até bater um papo com ele para um dia contar para seus futuros netinhos.

Brazilian Tequila, Augustus Young, João Ubaldo Ribeiro, a Irlanda e a Bahia.

Augustus Young é um grande, amado e cultuado escritor que nasceu na fria Irlanda. Leitor de muitos livros, ficou conhecendo o Brasil através dos escritores brasileiros que leu avidamente. Entre eles, escolheu como o seu preferido o baiano João Ubaldo Ribeiro. Cativou-o, principalmente, o humor de Ubaldo, as suas ricas e apaixonantes descrições do povo brasileiro com todas suas peculiaridades que tanto o diferem do povo irlandês. Augustus tanto gostou que findou por entrar em contato com João Ubaldo através de amigos em comum. Manteve correspondência com o renomado escritor e estreitou seus laços de amizade para com ele. Um dia, Augustus decidiu dar um tempo no frio da Irlanda e experimentar a sensação de viver em local bafejado por um clima mais caloroso, tropical, e acabou navegando para a Bahia para encontrar-se com João Ubaldo e conhecer de perto os locais e as gentes que passeiam pelas páginas de livros do escritor baiano. Essa sua decisão, suas épicas andanças pelas terras tropicais estão contadas em seu mais recente livro, Brazilian Tequila, cuja capa mostro acima. Uma vez ilustrei para o jornal A Tarde, de Salvador, Bahia, o texto de um cronista.  Tal texto falava sobre Ubaldo e seu cotidiano na Ilha de Itaparica, onde viveu e escreveu grande parte de seus maravilhosos textos para livros, jornais e revistas. A ilustração que fiz é a mesma que ilustra esta postagem, mostrando João Ubaldo em uma mesa, às voltas com um apetitoso peixe em uma travessa, tendo à mão um copo de uísque, bebida que tanto apreciava, coisa que deve ter contribuído, em muito, a aproximá-lo do irlandês Augustus, também chegado a entornar um bom uísque e similares. Young teve acesso à crônica, leu-a, gostou e gostou também da caricatura que fiz de João Ubaldo. Quando decidiu publicar seu livro contando sua trajetória por terras da Bahia, Augustus, já de volta ao seu lar na Irlanda, fez contato comigo pedindo autorização para usar a caricatura no livro e eu, que sempre adorei João Ubaldo Ribeiro, tanto como escritor, quanto como pessoa de uma mente lúcida, um cara extremamente culto, um causeur com invejável presença de espírito e elevadas doses de humor, autorizei com entusiasmo a publicação do meu desenho. Passados alguns meses, eis que recebo uma correspondência postada em Paris. Fiquei me perguntando quem seria o remetente, se a Catherine Deneuve, se a Isabelli Adjani. Ao abrir o pacote vi que se tratava de Brazilian Tequila, o livro de Augustus Young, em uma belíssima edição. Uma grande honra para mim poder figurar em um livro seu, Augustus, principalmente falando de um querido amigo em comum, tão talentoso e boa-praça como João Ubaldo Ribeiro. Thanks, thanks a lot, Augustus Young, my friend!                      
***** Pedidos de livros e contatos no e-mail:                                   http://books@troubador.co.uk                                
Site: http://www.troubador.co.uk/matador                
Twitter: http://matadorbooks     

08 junho 2017

Biratan Porto, cronista dos bons, e seu livro Ora, mas tá!

Exibicionismos de erudição, sempre gratuitos e desnecessários, não são encontradiços nos textos do cronista Biratan Porto. Suas crônicas no livro Ora, mas tá! chegam aos leitores trilhando o caminho da simplicidade, despojadas de ludibriantes recursos linguísticos em que o supérfluo, desfavoravelmente, pudesse vir a prevalecer. Por aí começam as muitas riquezas contidas em suas crônicas exibidas nesse livro, frisando que essa dita simplicidade não é, digamos, simplesmente tão simples. Coisas aparentemente triviais para os mais desatentos transformam-se em um rico mote para as crônicas de Biratan. Quem haveria de adivinhar as reminiscências que podem se encerrar em uma prosaica folha de imbaubeira caída em uma calçada? As pessoas comuns, certamente, não. Passariam mil vezes por ela sem dela se darem conta. Até poderiam pisá-la, em seu desatento caminhar. Da via pública o cronista recolhe a folha e, extasiado, observa-a com atenção. Embevecido, termina por viajar por suas fibras e nervuras, transportando-se no tempo até sua infância em Castanhal, em uma jornada sentimental que também arrebata a nós, seus leitores, e lá vamos nós com ele. Cada crônica de Biratan nesse seu livro é um périplo a nos conduzir por emoções de todas as grandezas, por reflexões existenciais oriundas dos mais improváveis recantos, por grandiosidades narradas com rara sutileza. Seus textos, em alguns momentos, por vezes se fazem acompanhar de uma leve ironia ao abordar instantes da vida em que vigora o inesperado, as reviravoltas da existência, o errado sobrepondo-se ao correto. A criatividade do cronista se faz onipresente, o seu olhar prima pela busca do insólito, do pitoresco, do inédito, do risível, seja relatando a vida de um incorrigível conquistador e suas pretendentes, seja mostrando um delegado chegado a excessos arbitrários, mas chegado muito mais ao sambista Geraldo Pereira. Seja, ainda, narrando os detalhes de uma imponderável corrida de galinhas ou mesmo expondo as angústias de uma kafkabirataniana barata e sua luta para salvar de trágico holocausto, suas irmãs e todo seu povo. As crônicas de Biratan não deixam espaço para a dor, melancolia ou tristeza. Nelas sempre se faz visível o tom positivo, para cima, comprovando que o autor acredita que o ser humano, malgrado seus equívocos, pode se fazer viável e experimentar a felicidade no planeta que habita e viver em harmonia com os seus semelhantes. Tudo isso se nos apresenta alinhavado pelo refinado humor desse inspirado cronista, Biratan Porto, um humor que ora nos chega de forma sutil, contida - e aí há que se ficar atento para não perder o riquíssimo sabor dessas passagens – e por vezes, esse humor se nos invade de forma histriônica e não há como conter uma gostosa e revigorante gargalhada.                                                                    *****Para os que querem experimentar o prazer de ler as crônicas de Biratan e as de seu partner, o também cronista Max Reis, que com ele divide as páginas desse Ora, mas ta!, basta escrever fazendo o pedido do livro para http://biratan.cartoon@gmail.com 

06 junho 2017

Biratan Porto e Max Reis com suas deliciosas crônicas.

De Belém do Pará, onde tenho amigos do peito, recebo um presente digno de rei que um desses amigos fraternos generosamente me envia. Trata-se de algo assaz envolvente, mas não se trata de um disco de carimbó do Pinduca, nem um tecnopop da vibrante, esfuziante e contagiante Gabi Amarantos. É coisa saborosíssima, mas esclareço logo que não é uma tigela recheada de um delicioso açaí. Trata-se de um belo exemplar de Ora, mas tá!. Se você não captou, explico que esse é o título de um livro de crônicas escritas por Biratan Porto e Max Reis. Magistralmente escritas, devo acrescentar. O livro em si, é bonito, tem belas soluções gráficas para a capa e para os textos internos. Quanto aos autores, caro leitor, como sua mente sagaz e atilada já percebeu, Biratan Porto é aquele cultuado cartunista, autor de belos cartuns premiados mundo afora por conta de seus desenhos e ideias magníficas, muitas delas abordando temas ecológicos, denunciando desmatamentos e a poluição que atinge criminosamente metrópoles, lagoas, mares e rios. E por falar em mares e rios, Biratan não é nenhum peixe fora d’água quando assume o papel de escriba. Na seara das crônicas ele transita com a mesma desenvoltura com que traça seus magistrais cartuns, exibindo sua proverbial criatividade, uma sensibilidade tocante que revela uma autêntica alma de cronista que mergulha na sua rica memória afetiva para nos brindar com as brincadeiras da sua infância plena de alegrias, jogos e descobertas, vividas com intensa felicidade por quem foi um típico menino do interior do Pará, para quem as ruas, becos, praças e campos de Carvalhal compunham um reino a ser explorado e ele, um rei em seu corcel, intrépido, arrojado, destemido vivenciando toda sorte de possíveis aventuras, momentos épicos e plenos de magia, tão mágicos que um dia viraram letras, palavras, substantivos, adjetivos, verbos e pousaram no papel das páginas que compuseram um dulcíssimo livro de crônicas que li com intenso prazer. Além, muito além dessas reminiscências vai Biratan, passeando também pela ficção com o mesmo olhar observador, atento aos mais discretos detalhes ocultos nos lugares mais recônditos. Mas reservarei isso para abordar em um próximo texto. Nesse me cabe contar também sobre seu companheiro de empreitada literária, Max Reis, que vem a ser o outro cronista de Ora, mas tá!. Que formidável dupla formam Biratan e Max Reis! Max, também se vale de sua memória para buscar na infância - igualmente vivida de forma intensa - e na sua juventude as lembranças de amigos fiéis, lugares, folguedos, namoros, as paixões adolescentes e as maduras. Tudo costurado com a mesma linha da emoção, própria de quem sente um perceptível prazer em viver, sempre olhando as coisas de um ângulo bastante pessoal em que se acumulam o humor, o amor, o filosofar, a indagação, a contestação, o apego ao modo de vida próprio dos viventes do Pará, de detalhes simples à primeira vista, mas com uma riqueza e exuberância que Max sabe captar, apreender e revelar aos leitores de suas crônicas. Não se resume ele a fazer um memorial. Das coisas vividas e vistas ao longo da de sua vida, Max Reis - mostrando intimidade com as palavras – recupera detalhes que agora revela em minúcias, coisas que por vezes escapa aos olhares dos mais desatentos, daqueles muitos que passam pelas coisas olhando sem ver. 
*****Com entusiasmo, aconselho aos que são chegados a uma boa leitura, especialmente de crônicas, que encomendem seu exemplar desse livro de leitura tão convidativa e prazerosa. Para fazer a encomenda do livro basta enviar uma mensagem para http://biratan.cartoon@gmail.com . E é bom você não marcar touca, senão a edição se esgota e aí vai ficar se lamentando. E quem olhar você, no maior desconsolo por ter dado tal bobeira, há de dizer: “Ora, mas tá!”  

01 junho 2017

Laerte, Ziraldo, coletes, calçolas e preconceitos.


Fico sabendo pelas gazetas e pela Dona Net que o cartunista Laerte de há muito se confessou um inveterado, contumaz e renitente adepto do uso de femininas vestes e que sendo assim e assim sendo, preconiza aos quatro ventos as delícias de ser um crossdresser, nome com o qual costumam batizar uma pessoa que adota um comportamento pouco convencional já que, sendo de um determinado sexo, sente-se bem vestindo roupas consideradas de uso reservado ao sexo oposto. Não é lá muito sensato concordar com a definição, hoje em dia isso soa como algo bem vago, ainda mais nesses tempos em que sopram ventos metrossexuais, tempos em que, por exemplo, mulheres soem usam terninhos bem ao feitio masculino e ainda assim não perdem o charme e nem podem ser chamadas de crossdresseres. Sou, como milhares de brasileiros, um fã incondicional do trabalho de Laerte, cartuns, tiras e HQs. O cara é uma fera nas ideias e no seu trabalho como um todo, na sua participação como cidadão - ou cidadã - com enorme consciência social e política e invejável destemor como qual arrosta os poderosos de plantão e gangsters políticos de todos os calibres.  E seus saques sobre os assuntos que aborda são sempre definitivos. Acho uma fortuna ter podido ver originais dele quando estive no Salão de Humor de Teresina a convite de meus amigos Kenard Kruel e Albert Piauí alguns lustros se vão. Pranchas de HQ tamanhos extra large, um traço a pincel e nanquim de cair o queixo. Não conheço pessoalmente o Laerte. E isto se deve ao fato dele não ter permitido que isto acontecesse quando me dirigi a ele, também convidado do mesmo Salão. O cara não me deu espaço, negou-me um mínimo de aproximação. Tratou-me com frio desinteresse, secura inequívoca, imensa falta de polidez, com evidente irritação. Saí daquele frustrado encontro achando-o neurótico e um chato de galochas. Não é isso - muito pelo contrário - que ele mostra ser em suas entrevistas e declarações.  Talvez ele não estivesse num bom momento. Ou quem sabe a intuição dele tenha lhe soprado nos ouvidos que eu, sim, era um chato galochante a ser mantido a uma distância segura. Não misturo as coisas e não guardo mágoa, já me bastam neuroses outras em minh'alma. O trabalho dele,  vale repetir, considero um dos melhores que já vi, tanto no traço quanto nas idéias. O mesmo se dá com outro cartunistaço, Ziraldo, que é um profissional consagrado e admirado por todos. No entanto, certo dia vi o pai do Menino Maluquinho na telinha, todo paramentado com seus habituais coletes, em uma entrevista com Leda Nagle e ele desferiu inesperadamente algumas bombas preconceituosas ao vivo e a cores contra as afrogentes desta terra de Jorge Amado, entre os quais estou incluído. E não foi no varejo, foi no atacado mesmo. Afirmou que o baiano é, por natureza, um falso e insidioso. Tão estupefato fiquei que fiz aqui uma postagem sobre o lance. Já Laerte, me dá prazer e enorme satisfação ouvir seu discurso claro, límpido, embasado. Nunca o vi dizer coisas tão equivocadas como disse Ziraldo, que se traja de maneira política e geriatricamente correta com seus vistosos coletes podendo desfilar em qualquer ambiente familiar sem causar espantos ou fofocas. Não serei eu a barrar o Laerte em nenhum espaço se ele aparecer envergando uma evasê rosa- choque ou qualquer outra almodovarivana cor. Isto não fere a honra e o amor próprio de nenhum grupo de pessoas ao derredor. Se o sujeito sente-se bem usando calçolas de babados, se a namorada do cara o acha sexy assim, isto é lá com ele e com ela. Entre as atitudes de Laerte e as do cartunista de colete com suas declarações deploráveis, fico com o criador dos Piratas do Tietê. Com calçola e tudo.
(18/10/13)

27 maio 2017

Tostão, Paulo Paiva, o Corinthians de Tite, bi-campeão do Mundo, e males do futebol brasileiro.


Ilustração de Paulo Paiva, o Profeta Pirado, feita no dia em que o Timão sagrou-se bi-campeão mundial interclubes no Japão.
Acreditem, além daquela arenga inócua e do velho lengalenga habituais daqueles verborrágicos sujeitos que são chamados de cronistas esportivos, há vida inteligente na cobertura do chamado esporte bretão. São poucos, são raros os que compõem esse grupo, mas existem para nos livrar da mediocridade geral que contempla essa nação de tantos amantes do dito esporte das multidões. Acredito eu que entre esses raros bem-pensantes, no melhor dos sentidos, está o Dr. Eduardo, mais conhecido por Tostão. Suas opiniões podem ser lidas no jornal Folha de São Paulo. Poucos são os cronistas mais contidos e discretos, os outros em grande quantidade infestam rádios e TVs e ali destilam uma multidão de lugares-comuns, frases de efeito, opiniões emitidas por conveniência, pretenso entendimento de táticas e do que acontece em campo, visão rasteira do universo pebolístico e uma sórdida conivência com a cartolagem nefasta. Alguns adotam a linha humorística, imaginam-se engraçadíssimos, creem-se criativos. Emitem suas opiniões com ares de professores, mestres, próceres, grandes luminares do assunto. Não são luminares coisa alguma, grande parte dele, seguramente a maioria, fala pisoteando a última flor do Lácio, assassinando friamente nosso léxico. Quanto ao conteúdo, eles quase nunca acertam o alvo, embora tenham suas opiniões em altíssima conta. Grande parte têm ligações nefárias com a cartolagem podre que tanto mal faz ao esporte, trabalham a serviço da escória. Acho que Tostão é um dos raros casos de cronistas que podem ser lidos e ouvidos com respeito e eu procuro ler tudo o que ele escreve por ser ele pessoa idônea, equilibrada, imparcial que conhece tudo do assunto, conhece o país que vivemos, fala o que de fato pensa, mostrando conhecer profundamente o que se passa nas quatro linhas do campo. Não busca afirmação pessoal nem polêmicas baratas. Para traduzir o que penso sobre a conquista do Campeonato Mundial Interclubes pelo Corinthians nesse ano de 2012 vou fazer minhas as palavras do inigualável Tostão. Se os que se apossaram dos destinos do nosso futebol tivessem sua visão e consciência e não pensassem tão obsessivamente em acumular fortunas às custas desse esporte, certamente não teríamos passado o vexame mundial que passamos na Copa do Mundo que viria em 2014, um lábeu do qual nunca nos livraremos. 
Eu e o grande cartunista Paulo Paiva, integramos o bando de loucos da chamada Fiel Torcida. A ilustração dessa postagem, relativa à conquista do Bi do meu amado Timão, é de autoria dele. Quando o Corinthians foi ao Japão enfrentar o Chelsea pela final do Mundial de Clubes, era época em que uns despirocados andavam anunciando que o Mundo iria se acabar. Não acabou. E a Fiel, com esse seu formidável bando de loucos, mostrou ao mundo e a quem sabe enxergar as coisas com clareza o que é amar verdadeiramente um time de futebol. Isso rolou em 2012, mas vale a pena see again. Principalmente, porque o autor do texto irretocável é o sábio Tostão:
"Aprendam com o Coringão  
Como escrevo aos domingos e quartas, não sou blogueiro, tuiteiro, não participo de rede social, não trabalho no rádio nem na televisão, gosto de palpitar, ainda não escrevi sobre o jogo do Corinthians e tenho a pretensão de achar que algum leitor queira saber minha opinião, continuo com o assunto, já comentado um milhão de vezes pela imprensa. Você já imaginou se, em uma das defesas de Cássio, a bola tivesse sido chutada um pouco para o lado? Seria gol, e o jogo poderia ter tido outra história. As opiniões seriam diferentes. Tite, certamente, seria criticado, o que seria injusto. Seu trabalho foi ótimo, independentemente do resultado. Diferentemente das vitórias do São Paulo sobre o Liverpool e do Internacional sobre o Barcelona, quando os times brasileiros foram dominados durante toda a partida, o Corinthians fez um jogo equilibrado com o Chelsea.Tite, mais uma vez, acertou ao colocar Jorge Henrique de um lado e Danilo de outro, deixando Emerson livre, como gosta e próximo de Guerrero. O time ficou mais forte, na defesa e no ataque. Parecia um clássico inglês. O Corinthians, no tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes, enquanto o Chelsea atuava como as atuais equipes globalizadas, ditas modernas, com uma linha de três meias e um centroavante (4-2-3-1). O Corinthians não mostrou nenhuma novidade tática. Apenas executou muito bem o que foi planejado.
Ter um grande conhecimento teórico sobre futebol é essencial para ser um bom técnico. Mas o melhor treinador não é o que sabe mais a teoria. É o que percebe os detalhes subjetivos, nebulosos e faz com que os jogadores executem com eficiência o que foi planejado.O Chelsea mostrou por que foi eliminado na primeira fase da Copa dos Campeões, pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, está muito distante dos primeiros colocados no Campeonato Inglês e, recentemente, foi goleado pelo Atlético de Madri, por 4 a 1, pela Supercopa da Europa. Em resumo, há hoje três maneiras de se jogar futebol. Uma, única, a do Barcelona, que ocupa o campo adversário, fica com a bola e espera o momento certo para tentar a jogada decisiva. Outra, a do Corinthians e de equipes da Europa, de times compactos, que alternam a marcação por pressão com a mais recuada e que conseguem sair da defesa para o ataque com troca de passes. E a terceira, a da maioria dos times brasileiros e sul-americanos, com muitos chutões, jogadas aéreas, excesso de faltas e correria. É uma maneira arcaica de se jogar. Espero que outros clubes brasileiros aprendam com o Corinthians a ser organizados, dentro e fora de campo. Isso já se iniciou no Brasileirão deste ano. Alguns técnicos tiraram a máscara, aceitaram as críticas e, lentamente, começam a mudar. Tomara!"
(21/12/12)

Rosto de homem com luz lateral / Sketchbook 04

Vão Gôgo, sob a pele de Millôr Fernandes, dizia de si: "Enfim, um escritor sem estilo". Sempre achei esta filosofia vãogogoniana um negócio muito, muito supimpa e assaz piramidal. E nunca procurei - ao menos deliberadamente - alcançar um estilo que as pessoas identificassem ao primeiro olhar como sendo meu - como o faz um grande contingente de artistas perseguindo a chamada "marca própria". Ao invés desta meta, por vezes obsessiva para muitos, preferi sempre optar por modos de fazer diversos e de conseguir resultados distintos ao experimentar materiais diferentes. O trabalho resulta sempre em algo meio camaleônico e com gosto de novo, e eu gosto é assim mesmo, já que sou o primeiro a me surpreender com os resultados. Creio que isso renova, revigoriza, evita a mesmice e até uma certa monotonia para quem desenha e pinta boa parte do tempo. Aqui vai mais um estudo de uma série feita na base da watercolor. Às vezes me sinto tentado a parafrasear o Guru do Meyer e sair por aí dizendo: "Enfim, um rabiscador sem estilo."
(04/07/13)

25 maio 2017

Lançamento de 60 maravilhosos Sketch Books pela Editora Criativo.

Apaixonados fervorosos dos cartuns, fãs incondicionais das histórias em quadrinhos, amantes siderados por caricaturas, tiras, ilustrações, correi! É chegada a hora escrever e contar detalhes do lançamento dos novíssimos Sketch Book da Editora Criativo, a editora que é voltada aos ardorosos cultores da Nona Arte e das Artes em Geral.
O evento tão ansiosamente esperado contará com a participação dos mais renomados profissionais da área, só vai dar fera aguardando vocês, sortudos e sortudas, para um bate-papo e para os autógrafos que um dia valerão alguns milhares de dólares nas COMIC-CONS do planeta. Tudo acontecerá no próximo dia 11 de junho, domingo, das 13 às 18h no Jazz Restô e Burgers, ali no Largo Dona Ana Rosa, 33, na Vila Mariana, bem ao lado do metrô Ana Rosa.
Entre os Sketch Books lançados estará o de Paulo Setúbal, euzinho, vejam vocês quanta honra minha figurar ao lado de profissionais do mais alto gabarito, gente admirada pelo desenho e por sua criatividade. Não estarei nesse maravilhoso encontro em presença física, embora lá quisesse ardorosamente estar, conhecendo gente que admiro, revendo alguns amigos feras, batendo papo com profissionais e quadrimaníacos que comparecerão em massa.
Da Bahia, onde resido, desde já estou enviando meus melhores votos de um sucesso mais retumbante. Meus abraço ao pessoal da Editora Criativo e meus parabéns pelo belo trabalho que estão fazendo pelas Artes, especialmente naquela que escolhi para expressar o que penso do mundo.
*****Ilustro essa postagem com um desenho meu que consta no Sketch Book Paulo Setúbal. Abaixo, o texto de divulgação enviado pela Editora Criativo, deixando vocês por dentro de todos os detalhes.

Editora CRIATIVO acredita no desenho, no autor e no talento, e faz MEGA LANÇAMENTO
com mais de 60 OBRAS, simultaneamente
SketchCON I – Art Convention
Um encontro CRIATIVO de autores iniciantes e consagrados, das mais variadas vertentes do lápis e do traço: desenho, ilustração, quadrinhos, mangás, tiras, cartuns, caricaturas etc., com quem gosta de arte. 
A proposta é promover, em ambiente aconchegante, o convívio de mais de 60 autores/artistas presentes, com o público, numa verdadeira celebração do desenho e seus criadores, autografando e batendo um papo, num clima descontraído e fraterno. Uma verdadeira ode à arte e aos seus criadores, um evento único e histórico.
Estarão sendo lançadas mais de 60 obras, em duas diferentes coleções de TIRAGEM LIMITADA“Uma demonstração de amor ao TALENTO e ao IMPRESSO”, declara Carlos Robrigues, publisher da editora.
▪ Coleção SketchBook CUSTOM — são 40 novos álbuns da coleção (que já editou 53 títulos nos últimos 6 meses)que dedica cada volume a um artista atuante no âmbito das artes gráficas. Muito mais que um simples livro de esboços, cada obra retrata os sentimentos, reflexões e a alma do seu autor na sua essência mais pura e inconsequente. Conteúdo para ser admirado e que serve ao mesmo tempo de referência e fonte de inspiração — os volumes são apresentados uniformemente no mesmo padrão elevado de qualidade de produção e impressão, com 64 páginas, papel offset 150g, e capa com orelhas - Coleção SketchBook Custom R$34,90 (cada álbum) 
▪ Coleção PostArt Collection — são 25 obras, cada qual dedicada a um artista, contendo 12 cartões coloridos mais a capa, com artes selecionadas pelo autor, no formato 9 x 9,5 cm, acomodados numa caixinha de acrílico. Impressão em papel couchê de alta qualidade, com aplicação de verniz na frente. E mais um MIMO EXCLUSIVO, um desenho autografado, feito de próprio punho pelo autor — o registro pessoal do artista. - Post Art Collection R$24,90 (cada caixinha)
ADQUIRA PELO SITE!
PRÉ-VENDA com 
20% de DESCONTO (+ Frete)
3x s/juros nas compras acima de R$100,00
EXCLUSIVIDADE CRIATIVO Store
Oferta válida somente no site até (10/06)
(Envio a partir de 12/06/17)
SketchCON I – Art Convention 
PROMOÇÃO EXCLUSIVA NO EVENTO - COMPRE 4, LEVE 5
O público presente ao evento poderá desfrutar de uma vantagem única: adquirindo 4 unidades da mesma coleção(SketchBook CUSTOM ou PostArt Collection) poderá levar 5 obras, e ainda dividir o pagamento em 3 vezes pelo cartão.
MEGA PROMOÇÃO - 30% de DESCONTO no restante do catálogo da editora.
Oferta válida somente no dia do evento.
Serviço:
Entrada franca
Data: Domingo, 11 de Junho de 2017 - Das 13h às 18h
Local: Jazz Restô e Burgers
Largo Dona Ana Rosa, 33 - Vila Mariana [ao lado do Metrô Ana Rosa]
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS DO EVENTO NA PÁGINA DA CRIATIVO NO FACEBOOK
https://tinyurl.com/SketchCON-I

24 maio 2017

Amor chocante / Setubardo fescenino

Você é uma figura tão chocante
Que na hora do amasso
Uso luvas de borracha
( Sua voltagem não é nada baixa.)
Você é uma mina tão brilhante
Que só olho pra você
Usando meus óculos Ray-Ban
(Minha luz, eu sou seu fã.)
Você é uma gata tão fogosa
Que pra namorar você
Uso roupa de amianto
(É fogo este seu encanto.)
Você é uma coisinha tão massa
Que se como muito você
Minha nutricionista se queixa
(Ai!, que prazer me dá comer seu sushi, minha gueixa.)
(01/05/11)

Madonna è mobile (do que uma mulher perdidamente apaixonada é capaz)

Em pleno inverno novaiorquino estava eu em meu badalado studio no Soho pintando um quilométrico portrait da Madonna que a própria diva pop me havia encomendado em pessoa. Ah, mas nem tudo são flowers na vida deste cultuado multimídia soteropolitano que vos mimoseia com estes textos que Oscar Wilde assinaria prenhe de orgulho. Para meu lamento, apesar de se dizer uma eterna ardorosa amante de Jesus, a blonde girl quando se reta vira uma nigrinha dada a barracos, bafafás, pitis e quiproquós. Só que euzinho também tenho lá meus calunduns e não sou de levar desaforos para minha cobertura do Upper East Side, em Manhattan. Assim, depois de um formidável lug-tail (arranca- rabo, para os não poliglotas) com a Material Girl, dei um sonoro so long para a ex - Sean Penn, peguei um jatinho e troquei a Big Apple por uma big moqueca de Papa-fumo - marisco de respeito - na Barraca Ó Paí ó, de Tia Marizete, lá em Cacha-Pregos, na baianíssima e assaz paradisíaca Ilha de Itaparica. Com direito a uma caipiroska de siriguela e uma loira geladíssima - e não estou me referindo à Madonna. Quanto à cantora, belatriz e quase atriz, conheço muito bem a fera. Não demora, passada a raiva ela me liga chorando copiosamente cheia dos "come back, come back". Mas desta vez garanto que não saio tão cedo do meu palacete no Vale das Muriçocas nem por todas as verdinhas da terra do Tio Sam. E qualquer integrante de fã-clube da pop star que apareça em meu recôndito valhacouto pedindo que eu ceda às súplicas de La Madonna, será devidamente rechaçado por meus mastins e pitbulls. E se não debandarem correm sério risco de terem as partes pudendas abocanhadas por um deles e aí vão passar o resto da vida cantando "Like a virgin" com a voz em falsete qual um Farinelli pop.
 (31/04/13)

Um pequenino detalhe sexual / Humor de graça

(200115)

Sexo de graça / Jantarzinho romântico com altas vibrações

(1/11/12)

22 maio 2017

Sting: eis que um deus visita o cacique Raoni, distribui carinho e fala de Sir Elton John

 
Quando acontecem noites dos mais radiantes plenilúnios, os nativos do Xingu se reunem em torno de aconchegante lume para ouvir dos lábios dos seus macróbios e sapientes pajés miríades de misteriosas lendas e histórias plenas de magia e encantamento. Uma das mais belas versa que, em ensolarada manhã, um deus da música vindo de muito, muito longe, visitou um dia a tribo. Trazia ele em seu alforje um instrumento musical dantes nunca visto. O nome dessa deidade era Sting. Esse ser superior, de alvinitente tez, trouxe consigo para o Cacique Raoni e toda sua tribo uma canastra repleta de espelhos, colares, contas e miçangas que ele, com semblante sereno e feliz, passou a ofertar aos radiantes silvícolas. Em dado momento, ao abaixar-se para pegar mais bugigangas, o popstar e nume supremo deixou escapar sonoro flato. Sonoro, porém inodoro, como sói ser o flato de um correto súdito britânico. O indefectível ruído não passou despercebido aos atentos ouvidos de um guerreiro espadaúdo, alto e assaz musculoso que aproximou-se e olhando fixamente com seus amendoados e coruscantes zoinhos, sussurrou a Sting: "Índio não quer colar. Índio quer apito!" Inabalável, como bom súdito da Rainha, o camaleônico roqueiro, incontestavelmente espada e matador, redarguiu: "Mister Indian, este negócio de dar apito é com outro inglês, Mr. Elton John, que está vindo logo aí atrás em outra expedição!"
(20/05/14)

20 maio 2017

Histórias em Quadrinhos no Brasil, seus inimigos ferrenhos e seus incansáveis defensores.

´1. Prof. Álvaro de Moya 2. Prof. Moacy Cirne 3. Profª.Sonia Bibe Luyten
Consideradas erroneamente uma forma de expressão nefasta que deveria ser extinta por desviar crianças e jovens dos bons caminhos e ainda por cima atrofiar os cérebros dos leitores transformando-os em marginais irrecuperáveis, as histórias em quadrinhos sofreram implacável perseguição nos EUA. Infelizmente para nós brasileiros, essa onda moralista norte-americana que se iniciou no período da Segunda Guerra, não se restringiu aos States, vindo também a inundar em cheio o Brasil já que em nosso país o reacionarismo sempre se fez presente, não sendo um privilégio dos tempos atuais. Por aqui uma absurda campanha difamatória contra os quadrinhos aconteceu de forma oficial nos anos quarentas, notadamente pelo político Carlos Lacerda. Nessa época foi distribuída entre a população uma famosa cartilha  afirmando que os quadrinhos deveriam ser execrados porque eram inimigos mortais da literatura tradicional,  além de um tenebroso caminho que conduziria  jovens incautos ao banditismo, uma apavorante escola do crime. Tamanhos disparates fizeram com que respeitados escritores e intelectuais mais equilibrados se pronunciassem contra o absurdo equívoco existente em tal campanha. Professores universitários dentro de suas atividades curriculares foram formando uma resistência contra a difamação orquestrada esclarecendo que os quadrinhos eram, na verdade, uma forma de expressão forte, direta, bela, vigorosa, inovadora. Que essa forma de expressão deveria ser acolhida sem reservas, estudada a fundo, compreendida e divulgada no âmbito acadêmico, como sendo um exemplo positivo da comunicação de massa. Que os quadrinhos não deveriam ser vistos como um inimigo a ser combatido e sim como um poderoso aliado dos docentes na sua árdua tarefa de ensinar, facilitando nas aulas ministradas a compreensão e a assimilação dos ensinamentos. Esses bravos professores, para desconstruir a rede de mentiras sobre os quadrinhos e mostrar o valor que eles continham, usaram de oratória em salas de aulas, fizeram palestras, promoveram debates, escreveram livros e artigos em revistas de prestígio, organizaram mostras e exposições, inclusive a I Exposição Internacional de Quadrinhos, em 1950. Nas universidades eram fortes as resistências, veladas ou explícitas, por parte de muitos que insistiam em não querer enxergar os quadrinhos como uma nova e formidável forma de expressão. Entretanto, tais resistências foram sendo superadas aos poucos até que a força dos quadrinhos se impôs e hoje, além do seu enorme sucesso popular, garantiu oficialmente lugar nas salas das mais respeitadas faculdades e um justo e merecido espaço no pódio científico. A saga das histórias em quadrinhos e sua luta épica para se firmar entre nós como um salutar meio de expressão está em livros diversos escrito pelos bravos e pioneiros professores que nunca foram munidos de visão de raios-x qual a de certo superherói, e ainda assim enxergaram muito além do que outros enxergaram. Um dos bons livros sobre o assunto chama-se Os pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil, organizado por Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Nobu Chinen, uma edição da Editora Criativo, do ano 2013. Nesse livro estão os depoimentos de professores que foram pioneiros dos estudos das HQs,  pela mudança de conceito e mesmo pela redenção do bom nome dos quadrinhos, entre eles: Álvaro de Moya, Antonio Luiz Cagnin, José Marques de Melo, Moacy Cirne, Sonia Bibe Luyten e Waldomiro Vergueiro. Pow!, bang!, sniff! e kisses, kisses!, kisses! procês, amáveis e idolatráveis leitores. 
(28/10/2015)

Vitor Souza, pastor e escritor, e seu livro que mostra as aproximações entre Psicanálise e Cinema.

Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos, estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do cotidiano. Aí entra o segundo e altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena  plateia que teve o privilégio de assistir ao filme projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses, Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir, mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.
(23/08/16)

Facebook e vingança / Humor de Graça

((26/08/16)